Quatro horas de voo direto entre São Paulo a Manaus, dorme uma noite por lá, mais uma hora de voo até Parintins e, uau, bem-vindo a uma das experiências turísticas mais emocionantes que se pode ter ou oferecer a um turista.

Há vôos regulares da MAP e da Gol entre Manaus e Parintins. Na temporada do festival, o número de voos aumenta para atender a demanda. Foto: Velma Gregório

Primeiro, encontrar uma cidade de mais de 110 mil habitantes no meio da floresta – são 370 quilômetros em linha reta a partir de Manaus, onde só se chega de barco e avião, é uma surpresa incrível. Tudo – suprimentos, remédios, carros, materiais de construção, roupas, calçados, enfim, tudo vem de barco e avião. Parintins, na verdade, é uma ilha no Rio Amazonas, a Ilha da Magia. Realmente é mágico pensar que o tempo todo você está cercado pela imensidão desse rio mar.

Depois, uma festa que em três dias reuniu 40 mil pessoas (de acordo com a Empresa Estadual de Turismo, Amazonastur) para celebrar o folclore brasileiro em uma manifestação cultural gigantesca que, apesar de à primeira vista ser difícil compreender a paixão envolvida, engaja o visitante de uma maneira tão intensa que, uma hora ou outra, um boi vai te pegar – ou seu coração é vermelho, ou é azul.

Os bumbás Caprichoso e Garantido, que foram reconhecidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil, são as estrelas do Festival Folclórico de Parintins, que ocorre sempre no mês de junho, no Centro Cultural de Parintins, o chamado Bumbódromo.


A cidade é dividida entre o azul do Caprichoso e o vermelho do Garantido. E quase todo mundo trabalha em torno deste festival o ano todo. Ao chegar nos dias da festa, tudo  está preparado – os bois, as praças, o mercado municiapal, a feira de artesanato, os triciclos e as filas de Parintinenses na porta do Bumbódromo, desde cedo, para pegar o melhor lugar nas chamadas “Galeras”, as torcidas organizadas dos bois.








Este ano, a Amazonastur criou um Turismódromo, um espaço bem no centro da cidade – a praça da Igreja Nossa Senhora do Carmo – para receber e atender aos turistas e introduzi-los a este universo encantado de Parintins. Cerca de 10 mil pessoas passaram por lá para buscar informações, saber mais sobre a cidade e a festa, ou simplesmente tomar um suco de taperebá.


Outro ponto concorrido foi o Mercado Municipal, recentemente reinaugurado. Artesanato local, produtos típicos da região, peixes e música regional na beira do Rio Amazonas que tem da varanda tem uma vísta única do por do sol.

 


Vida na selva

O isolamento da cidade no meio da floresta traz algumas restrições de infraestrutura – cartões de crédito e débito dificilmente são aceitos, por exemplo. Tem sinal de internet, mas, nem sempre funciona bem. Talvez seja pelo excesso de pessoas no período da festa, mas o sinal é bem fraco. O que pode ser um bom motivo para se desconectar. A cidade é asfaltada, mas o asfalto  não está em muito boas condições.  Tudo é muito rústico, mas nem por isso ruim ou desconfortável. Têm até o seu charme. O meio de transporte mais comum dentro da ilha, por exemplo, é o Triciclo. Movido a pedal, os triciclos são adaptados para o transporte de passageiros. Uma viagem custa R$ 10 por pessoa nos dias normais. Em dias de festival, além de decorados de azul e vermelho, o valor é dado de acordo com a demanda.

A rede hoteleira conta com cerca de 900 leitos, em aproximadamente 50 propriedades registradas no Cadastur, a maioria muito simples.Sempre há a opção de se hospedar em barcos hotéis, como o Zaltana , que estava ancorado no pier do Amazon River, considerado o melhor hotel da cidade – tem ar-condicionado nos quartos, camas confortáveis e funciona no sistema de resort. Mas o seu principal atributo é a simpatia do atendimento.






 

Festival Folclórico de Parintins

Recomende ao turista entrar no clima – os adereços de penas são para as mulheres e homens e podem ser comprados na feira local. Roupas leves são as mais recomendadas porque a temperatura sobe no Bumbódromo.

É um espetáculo incomparável – os estrangeiros ficam perguntando se ele se parece com o Carnaval do Rio de Janeiro ou com alguma outra festa de alegorias do Brasil – A resposta é não, não se parece. Ele é único.

Em sua 54a edição, as apresentações do boi ocorrem em uma arena, tem um enredo, começo, meio e fim e as alegorias entram e saem de cena durante as cerca de duas horas e meia de apresentação de cada boi. Elas contam uma história cadenciada, as alegorias surgem de dentro umas das outras, é uma surpresa a cada instante.

O tema de 2019 do boi Caprichoso foi “Um canto de Esperança para Mátria Brasilis” sobre a busca dos Tupinambás por uma terra sem males quando encontraram Parintins. Já o boi Garantido trouxe “Nós, o Povo”, como seu tema central. O Garantido tem a identidade de ser o boi do povo e se valeu disso no enredo que lhe proporcionou a vitória no festival deste ano.

















As lendas amazônicas inspiram as criações, mas é a torcida que faz a festa ser o que é. Durante as apresentações dos bois, o comportamento das galeras é avaliado na pontuação geral. Tanto na apresentação do seu boi, quanto na apresentação do boi rival. Ou seja, a galera vibra com o seu boi e assiste respeitosamente ao seu oponente. É arrepiante. Sem contar que vez ou outra você se lembra que está no meio do Rio Amazonas. E que a Floresta Amazônica está ali do lado.

O acesso às arquibancadas das galeras é gratuito. Mas há as cadeiras numeradas e os camarotes. Esses últimos já estavam todos vendidos dois meses antes do evento. Os preços das cadeiras variam de R$ 200 a R$ 1.150 para os três dias de festa. Já os preços do camarote variam mas podem chegar a R$ 1.800 por pessoa, por noite.

Ou seja – exige planejamento. Os ingressos pagos são vendidos pela Amazon Best na página oficial do evento que se renova anualmente.

Turismo sustentável

A presidente da Amazonastur, Roselene Medeiros, conta que para o Estado do Amazonas se instala em Parintins para proporcionar uma festa de alta qualidade – segurança, campanhas de conscientização contra o turismo sexual e a exploração de trabalho infantil, investimento na preparação dos bois, entre outras participações.

“A gente tem a pretensão de que o turismo seja um novo vetor econômico do nosso Estado e isso é uma visão diferenciada, que vem do governador Wilson Miranda Lima. O Amazonas está no imaginário das pessoas, do estrangeiro sobretudo. A nossa missão é fazer com que esse destino se torne cada vez mais acessível”, disse Roselene Medeiros

Depois do festival, Parintins tem ainda duas grandes festas – já em julho. As duas relacionadas ao turismo religioso – a festa da padroeira, Nossa Senhora do Carmo, e a Romaria das Águas. “A romaria é um grande espetáculo pelo Rio Amazonas. É um nicho para olhar com muito cuidado. Hoje, mais ou menos 10 mil turistas neste período de dez dias entre o festival e a romaria. Vamos começar a fomentar o turismo religioso. O Festival Folclórico de Parintins é a ponta do iceberg. Podemos fazer com que a cidade viva exclusivamente do turismo o ano todo. Parintins é uma ilha que tem um clima muito mágico o ano inteiro. E é com isso que contamos. O Amazonas tem 97% da floresta preservada e a gente não quer perder isso”, complementou Roselene.

 

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