Boicote à Boeing: entenda os desdobramentos com o 737 Max 8

Dois acidentes em apenas cinco meses. O Boeing 737-800 Max, lançado em 2017 e o mais vendido pela fabricante, tem sofrido boicote mundial ao ser apontado como o responsável pela morte de 346 pessoas nos desastres com a Ethiopian Airlines e a Lion Air. Inicialmente, a aérea da Etiópia anunciou a suspensão do uso do modelo por tempo indeterminado. Em seguida, Indonésia e China adotaram semelhante postura.

Não demorou muito, porém, para que outras companhias e órgãos regulatórios mundiais seguissem pelo mesmo caminho – incluindo o Brasil, que, com a Gol, possui sete aeronaves Max 8. Ao todo, cerca de 40 países proibiram o avião em seus espaços aéreos.

Embora o modelo tenha sido apontado como o responsável pelos desastres, sobretudo quando ambas as aeronaves apresentaram os mesmos problemas técnicos, a fabricante relutou a reconhecer a suposta falha do avião. “A segurança é a prioridade número um da Boeing e temos total confiança no 737 Max. Entendemos, contudo, que as agências reguladoras e os clientes tomaram decisões que acreditam serem mais apropriadas para seus mercados”, afirmou em comunicado.


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A fabricante destacou ainda o fato de estar realizando modificações no software e sistema de controle, conforme solicitou a Agência Federal de Aviação (FAA). O órgão, aliás, havia sido o único a não interromper as operações do modelo no espaço aéreo dos Estados Unidos. Após uma série de críticas, todavia, o presidente Donald Trump reverteu a decisão. “Até que a Boeing e as autoridades encontrem as respostas, os aviões estarão suspensos”, declarou.

Falha no sistema

As caixas-pretas de ambas as aeronaves foram encontradas e, preliminarmente, demonstraram que problemas similares comprometeram os voos 610 da Lion Air e 302 da Ethiopian Airlines. A investigação da companhia da Indonésia apontou problemas com o software de controle de voo, que ficou ativo quando não deveria.

Durante a operação, o sistema teria erroneamente identificado que o nariz da aeronave estava sendo impulsionado para cima, no chamado estol. Como resposta, o software projetou o avião para baixo. O piloto, por sua vez, tentou controlar a aeronave e retomar a sustentação, mas acabou por perder o controle. A queda aconteceu 13 minutos após a decolagem.

Dennis Muilenburg, CEO da Boeing

A Boeing, em contrapartida, já tinha ciência que o modelo 737 Max poderia apresentar esse tipo de problema, visto o uso das turbinas mais largas. Para tanto, ainda na fase de testes, a fabricante desenvolveu o Sistema de Aumento de Características de Manobra (MCA). Contudo, dadas as duas ocorrências, anunciou que fará melhorias no modelo.

Vale destacar, porém, que a análise oficial da caixa-preta do avião da Ethiopian será divulgada apenas em 30 dias. O resultado preliminar foi informado no último dia 18 de março. A ministra etíope do Transporte, Dagmawit Moges, revelou em coletiva de imprensa a similaridade entre os acidentes. “Durante a análise da caixa que registra os dados do voo foram observadas semelhanças claras entre o voo 302, da Ethiopian Airlines, e o voo 610 da Lion Air. Tanto a equipe americana de peritos quanto a nossa validaram as informações”, afirmou.


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Entretanto, a FAA e o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB), órgãos estadunidenses, não confirmaram a informação. De acordo com eles, apenas com o laudo oficial é que os dados serão realmente validados.

O que a Boeing diz?

Poucas horas após a queda do B737 Max 8 em solo etíope, as ações da fabricante fizeram trajeto similar na Bolsa de Valores de Nova Iorque. Apenas entre o primeiro e segundo dia após a fatalidade, a queda foi de 12%. Embora tenha tornado a crescer, gradativamente, a situação não voltou ao que era.

Além disso, dada a pressão mundial, a Boeing anunciou que fará atualizações no software e revisará o treinamento de pilotos. Em nota, assinada por Dennis Muilenburg, CEO da fabricante, as falhas do 737 Max 8 foram reconhecidas.

“Com base nos fatos do acidente da Lion Air e nos dados preliminares da Ethiopian Airlines, à medida que se tornam disponíveis, estamos tomando as ações necessárias para garantir a segurança total do 737 Max.”

Apesar disso, a Boeing afirma que não deixará de fabricar o modelo e nem a família 737 Max. As entregas, no entanto, mantêm-se suspensas. O tempo para a retomada é indeterminado, bem como a confiança global no modelo.

Capilaridade do Boeing 737 Max 8 no mundo (Reprodução Boeing)

A matéria foi originalmente publicada na edição 823 do Brasilturis Jornal.


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